PROGRAMAÇÃO
IV Escola do GT:
DESCRIÇÃO DOS CURSOS DA ESCOLA DO GT
O sistema de anotação prosódica ToBI aplicado ao português: P_ToBI
Flaviane Romani Fernandes Svartman (Universidade de São Paulo, CNPq)
Este curso visa à apresentação do sistema de anotação prosódica ToBI (Silverman et al. 1992; Beckman; Ayers 1994, Beckman; Hirschberg 1994; Pitrelli et al. 1994; Beckman et al. 2005) aplicado ao português: o P_ToBI (Frota et al. 2015). O P_ToBI é um sistema de transcrição da gramática entoacional e prosódica do português, proposto com base na análise de dados de variedades europeias e brasileiras (e também alguns dados sobre variedades africanas) com a finalidade de abranger padrões específicos que fazem parte da fonologia da língua portuguesa ou da variedade do português abordada. Esse sistema de anotação prosódica representa o estado atual do conhecimento da gramática entoacional e prosódica do português (Frota 2000, 2014; Tenani 2002; Vigário 2003, 2010; Fernandes 2007; Serra 2009; Toneli 2014; Frota et al. 2015a, Frota e Moraes 2016; Braga e Fernandes-Svartman 2019; Santos 2020; Serra e Oliveira 2022; Braga 2023; Fernandes-Svartman 2024; entre outros), à luz dos quadros teóricos em que é desenvolvido, Fonologia Autossegmental e Métrica para a abordagem da fonologia da entoação (Pierrehumbert 1980; Beckman e Pierrehumbert 1986; Ladd 1996, 2008; entre outros) e Fonologia Prosódica (Selkirk 1984, 1986, 2000; Nespor e Vogel 1986, 2007). Em nosso curso, o enfoque será dado aos fundamentos do P_ToBI, às convenções adotadas para a transcrição dos dados de diferentes variedades do português e à prática de transcrição de tons e de fronteiras prosódicas, com o uso do P_ToBI, em dados de diferentes tipos frásicos de variedades brasileiras do português.
Morfofonologia sublexical em português brasileiro
Luiz Carlos Schwindt (UFRGS, CNPq)
Neste minicurso trataremos de processos da interface morfologia–fonologia em português brasileiro na perspectiva de subléxicos ( Gouskova, Newlin-Łukowicz; Kasyanenko, 2015 ; Becker; Gouskova, 2016). No domínio da Teoria da Otimidade, partiremos de uma aproximação e problematização das noções de Condições de Estrutura de Morfema ( Nevins & Vaux, 2006 ; Booij, 2011; Gouskova, 2024), Riqueza da Base e Otimização Lexical (Prince; Smolensky, 1993; McCarthy, 2002), para contextualizar a demanda pela investigação de subléxicos. A partir dessa ambientação teórica, discutiremos fenômenos do português que apresentam subpadrões condicionados fonotática e/ou morfolexicalnente, passíveis de serem analisados em perspectiva sublexical. Entre esses fenômenos estão plurais irregulares (Schwindt, 2021; Schwindt & Abaurre, 2022; Gaggiola; Schwindt, 2025), metafonia verbal (Schwindt, 2007; Schwindt; Quadros, 2009) e ditongos fechados por glide labiovelar (Schwindt, 2026b). Concebidos na perspectiva sublexical, discutiremos, nesse sentido, metodologias próprias para lidar com tais padrões, levando em conta três abordagens de léxico: léxico permanente, léxico em uso e léxico potencial (Schwindt, 2026a).
VII Encontro do GT:
RESUMOS DAS CONFERÊNCIAS DE ABERTURA E ENCERRAMENTO
Conferência de Abertura
A construção do conhecimento fonológico na aquisação da linguagem
Carmen Lúcia Matzenauer
O foco da apresentação está na construção do conhecimento fonológico como parte do processo de aquisição da linguagem. Esse é conhecimento que se reveste de complexidade pelas interações que exige, de modo particular entre Fonética e Fonologia, entre unidades fonológicas e entre percepção/compreensão e produção linguísticas. No cerne dessas interações está a noção de gramática, vista como uma das propriedades fundamentais da possibilidade de uma língua ser aprendida. Têm-se nas teorias fonológicas os subsídios para possíveis interpretações da natureza e do desenvolvimento do conhecimento fonológico como parte da construção da gramática da língua, seja da L1 ou da L2.
Conferência de Encerramento
Desafios no ensino de pronúncia de L2
Thaïs Cristófaro-Silva
De maneira geral, o ensino de pronúncia foi negligenciado por muitos anos no ensino de língua estrangeira ou adicional (L2). Uma das razões para tal fato é a enorme variabilidade sonora - seja geográfica, etária, grau de educação, etc - quando comparada, por exemplo, com a sintaxe, a morfologia ou o léxico. Nas últimas décadas o ensino de pronúncia passou a ser explorado tanto científica quanto didaticamente, e tem contribuído com a formulação de diversas teorias e de diversos avanços metodológicos. Esta apresentação considera este último ponto e discute contribuições teóricas de L2 para teorias fonológicas.